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Artigos
O estranho pássaro
Existe uma crônica sobre mim na internet, escrita por quem viu a solidão antes de mim. Esta é a resposta ao estranho pássaro.
O poema da contracapa
Aos catorze anos, copiei um poema gótico na contracapa do caderno. Meu pai disse que aquilo eu não escreveria. Vinte anos depois, a resposta — essa sim, minha.
O mar de São Sebastião
Aos dezessete, uma cidade que não escolhi veio com um oceano incluído. Sobre a imensidão que não faz perguntas — e a curiosidade que a névoa traduziu errado.
O moletom preto
O guarda-roupa de uma cor só e a música que gritava por mim — sobre vestir por fora o luto que não podia ser dito por dentro.
O empréstimo com juros
Todo escape falso é um empréstimo: o alívio vem na hora e a cobrança vem depois, maior. Sobre a matemática que descobri na pele — e o primeiro alívio que não cobrou juros.
O réu que era a vítima
O tribunal interno que condenou o único culpado que a sentença aceitava — e a releitura dos autos, com décadas de atraso, que encontrou o vício que anula tudo.
Do outro lado do vidro
Uma crônica sobre a tarde em que a tese me cobrou em pessoa — todos os requisitos cumpridos, todos os indicadores verdes, e um homem saiu da fila sem o que veio buscar.
Para sair, abra aqui
Aos treze anos, duas aulas de desenho aconteciam na mesma sala — a do quadro tinha futuro, a do pulso não. Sobre o ano em que a névoa chegou, e o aviso que ninguém leu.
A névoa não decide
Sobre os momentos de desespero — quando o cansaço vira voz e aponta uma porta. O que aprendi na saída do quarto, dito de mim para mim.
Os canteiros que espalharam sementes
Uma parábola sobre canteiros pequenos e sementes de inverno — e sobre a frase que é o centro de tudo, nenhum canteiro inventa semente.
Carta ao menino de seis anos
Uma carta que chega com vinte e sete anos de atraso — as frases que ninguém disse a um menino de seis anos, ditas agora por quem ele virou.
A pergunta errada
Uma crônica sobre a pergunta que nunca me fizeram e a que fizeram no lugar dela — e sobre o silêncio de vinte e seis anos que terminou nesta página.
A resposta que fiquei devendo
Uma crônica-carta sobre a melhor amiga da adolescência e o silêncio que respondeu por mim — e sobre a resposta que chega com quase vinte anos de atraso.
A memória que não desbota
Um ensaio pessoal sobre o arquivo que não deleta nada — o instrumento que serve o engenheiro de dia e assombra o homem de noite.
O menino que tinha medo das próprias mãos
Um conto sobre uma mentira plantada num menino de oito anos — e sobre o meio segundo que ela ainda cobra antes de cada abraço.
A cidade não percebe quando alguém desaba
Um texto pessoal sobre o dia em que parei na calçada — e sobre descobrir que a cidade não diminui o ritmo quando alguém está prestes a desmoronar.
O velório que não houve
Um texto pessoal sobre uma morte sem atestado — e sobre marcar, vinte e seis anos depois, a lápide que faltava.
O jardineiro e as sementes de inverno
Uma parábola sobre quem planta e rega sozinho enquanto todos admiram a sombra — e sobre a pergunta que ninguém fez ao jardineiro.
O silêncio também faz barulho
Um texto pessoal sobre os dias em que a cabeça pesa — e sobre dar forma, em palavras, ao que parecia impossível de carregar sozinho.